Câncer Colorretal: a visão sob uma lupa

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O que é de fato o câncer colorretal? Porque ele merece destaque? Quais os fatores de risco? Como deve ser a alimentação? São muitas as dúvidas e questionamentos ao redor desta patologia. Mas vamos aos poucos entendendo a sua fisiopatologia, como conseguimos prevenir com mudanças no estilo de vida e alimentação.

O que é o Câncer Colorretal?

O câncer é caracterizado por uma divisão e sobrevivência de células anormais que não foram detectadas. Quando este tipo de crescimento celular desenfreado ocorre no colo ou reto, chamamos de câncer colorretal (CCR). O colo e o reto, que combinados formam o intestino grosso, são a parte final do nosso Trato Gastrointestinal (TGI), o qual processa os alimentos que ingerimos para produção de energia e se livra de produtos que não precisamos (através das fezes). Veja abaixo uma figura no nosso TGI:

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Como se inicia o câncer Colorretal?

Geralmente este tipo de câncer se inicia através de um crescimento celular não cancerígeno chamado pólipo, que ocorre na camada interna do cólon ou reto. Ele tem um crescimento lento, durante um período de 10-20 anos. O pólipo adenomatoso é o tipo mais comum. Os adenomas são provenientes de células glandulares, as quais produzem muco para lubrificar o cólon e reto. Aproximadamente um terço a metade dos indivíduos irão desenvolver um ou mais adenomas ao longo da vida. Todos os adenomas tem o potencial de se tornar cancerígeno, no entanto, é estimado que apenas 10% se tornam um câncer invasivo. A probabilidade de um adenoma se tornar cancerígeno aumenta de acordo com seu tamanho. O câncer que se situa na camada inteiro da região colorretal é denominado adenocarcinoma, e ocorre em cerca de 96% dos CCR.

Uma vez o câncer instalado na camada interior desta região, ele pode crescer e tomar conta da parede do cólon ou reto, como demonstra a figura abaixo. Este tipo de câncer invasivo pode penetrar em vasos linfáticos ou sanguíneos, e por ai se transportar para outros órgãos e tecidos, como o fígado, pulmão e peritônio. Este movimento cancerígeno é chamado de metástase.

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Quais os estágios do câncer colorretal?

O extensão em que o câncer se espalhou no momento do diagnóstico é descrito como o seu estágio. Determinar o estágio é fundamental para delinear o melhor tratamento e estabelecer o prognóstico. Veja a seguir os estágios mais comuns:
• In situ: o câncer ainda não invadiu a parede do cólon ou reto;
• Local: câncer que já invadiu a parede do cólon e reto, mas não ultrapassou a parede e chegou a outros órgãos e tecidos;
• Regional: câncer que se espalhou pela parede do cólon e reto e chegou a ultrapassála, invadindo outros órgãos ou nódulos linfáticos;
• Distante: câncer que já se espalhou para outros órgãos como fígado e pulmão

Quais os sintomas do câncer colorretal:

Nos estágios iniciais, o câncer é assintomático, e por isso os exames de imagem são imprescindíveis. Com o crescimento tumoral, ele pode sangrar ou obstruir o intestino, o que pode até gerar um quadro de anemia, causando sintomas como: excesso de fadiga, fraqueza e falta de ar. Outros sintomas incluem:
• Sangramento retal;
• Sangue nas fezes;
• Fez-se escurecidas ou pretas;
• Mudança no padrão das fezes e nos hábitos intestinais;
• Cólicas ou desconforto na parte inferior do abdômen;
• Uma vontade forte de ir ao banheiro quando o intestino está vazio
• Constipação ou diarreia duradoura;
• Diminuição do apetite;
• Perda de peso sem intenção.
É de extrema importância uma avaliação consistente dos sintomas e realização de exames de rotina regularmente, mesmo em indivíduos com idade

Incidência e mortalidade do câncer colorretal:

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Quais os ricos de desenvolver câncer colorretal?

Aproximadamente 4,6% dos homens (1 em 22) e 4.2% das mulheres (1 em 24) serão diagnosticados com CCR ao longo da vida. Os riscos do desenvolvimento são similares para homens e mulheres. Alguns fatores que podem influenciar são:
• Idade: idade média para o diagnóstico de câncer de cólon é 68 anos para homens e 72 anos para mulheres; e câncer de reto é 63 para ambos os sexos;
• Sexo: incidência de CCR é aproximadamente 30% maior em homens do que em mulheres, e a chance de óbito é 40% maior também;
• Raça/etnicidade: incidência e mortalidade são maiores em negros não hispânicos e menores e Asiáticos;

Como a incidência de câncer colorretal mudou ao longos dos anos?

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Quais os fatores de risco para câncer colorretal?

Deixando de lado idade, sexo e etnicidade, os riscos de se desenvolver CCR tem muita relação com o poder aquisitivo do País. Países onde o poder aquisitivo é alto, a população tende a ser mais sedentária, com hábitos alimentares muito ruins e tabagistas. A prevalência destes fatores de risco refletem a variação do CCR, que é maior na Europa e América do Norte, e menor na África. A relação de estilo de vida e CCR é tão forte que é considerada um marco de transição econômica. Indivíduos morando em países com maior poder aquisitivo tem maior chances de desenvolver CCR, e o contrário também é verdadeiro. Estudos recentes mostram que com uma alimentação saudável e balanceada e exercícios físicos frequentes diminuem a incidência de CCR em até 37%!

Fatores que não se pode modificar estão relacionados a hereditariedade familiar, histórico médico e doenças crônicas inflamatórias (Síndrome do Intestino Irritável).
Em relação ao histórico médico, os riscos incluem:
• Síndrome do Intestino Irritável: indivíduos com esta condição tem chances dobradas de desenvolver CCR. As formas mais comuns desta condição são: Doença de Crohn e colite ulcerativa;
• Diabetes: indivíduos portadores de DM2 tem risco aumentado de desenvolver CCR

Em relação aos fatores de risco comportamentais, temos:
• Inatividade Física: atividade física está fortemente ligada à diminuição dos riscos de câncer de cólon, mas não necessariamente de câncer de reto. Indivíduos que já praticavam atividade física antes do diagnóstico apresentam menor chance de ir a óbito pela doença. O Sedentarismo aumenta as chances de desenvolver a doença de 25-50%!;
• Obesidade: a incidência de obesidade dobrou nos últimos 35 anos em indivíduos com idade entre 20-74 anos (15% em 1979 para 35% em 2014). Excesso de peso corporal aumenta risco de desenvolver CCR, com maior associação entre homens do que mulheres e com mais relação a câncer de cólon do que de reto. Homens obesos, quando comparados a homens eutróficos, apresentam um risco aumentado em 50% para desenvolver câncer de cólon e 20% para câncer de reto. Mulheres obesas tem um risco aumentado em 20% para câncer de cólon e 10% para câncer de reto. O excesso de peso, em ambos os sexos, diminuem chances de sobrevivência quando no tratamento da doença.
• Alimentação: o padrão alimentar pode influenciar o risco de desenvolver CCR diretamente, a partir de elementos-chaves, e indiretamente, através da superalimentação (obesidade). Há também o fato do padrão alimentar influenciar os nossos biomas – microbioma no intestino grosso – onde células bacterianas são
absolutas sobre células do hospedeiro (10:1). Vejamos alguns nutrientes que podem ter um papel significativo no desenvolvimento do CCR:
I. Cálcio: consumo adequado de alimentos ricos em cálcio diminuem chances de desenvolver CCR. Um adequado consumo deste nutriente confere proteção;
II. Fibras: embora seja altamente plausível que um maior consumo de fibras diminui chances de desenvolver CCR, pela menor exposição a agentes carcinogênicos devido a maior volume fecal e menor tempo de transito intestinal, os resultados de estudos recentes ainda são inconclusivos. No entanto, o consumo de fibras é essencial para a saúde como um todo, e não e não deve ser descartada;
III. Folato: consumo de folato, seja por via de suplementação ou por alimentos, tem uma relação complexa com a incidência de CCR. Ele pode ter um papel de promover o crescimento de tumores já existentes, mas inibir a formação de tumores novos;
IV. Frutas e Vegetais: posição muito parecida com as das fibras: os resultados de estudos recentes apontam conclusões inconsistentes. Tudo indica que há um efeito protetor com um consumo baixo ou moderado de frutas e vegetais, e um alto consumo apresenta poucos benefícios;
V. Carne vermelha e processada: consumo de carne vermelha e/ou processada aumenta risco de CRR. As razões específicas para esta associação ainda não estão claras, mas pode ter relação com compostos cancerígenos formados nas carnes a partir de tempo de cocção, ou defumação;
VI. Vitamina D: maiores níveis de Vitamina D sérica estão relacionadas a menor risco de desenvolver CCR;

Há, então, diversos pontos a se pensar quando estamos falando sobre CCR. Uma alimentação e estilo de vida saudável são a base para prevenção não só desta doença, como de diversas outras. Sempre procure um médico e nutricionista para prescrições e avaliações individualizadas e personalidades para a prevenção desta, e de qualquer outra doença crônica.

Referência: https://www.cancer.org/content/dam/cancer-org/research/cancer-factsand-
statistics/colorectal-cancer-facts-and-figures/colorectal-cancer-facts-andfigures-
2017-2019.pdf

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